quarta-feira, 22 de março de 2023

Mulheres são flores

 


Por Marcos Vinicius Cabral 

Mulheres são flores que desabrocham todos os dias quando nos dão um simples sorriso.

Plantadas em uma noite por um casal de jardineiros envoltos na paixão, deixam de ser sementes e acabam se transformando em corpo presente. 

Cheirosas em diversas cores, elas, mulheres, foram extraídas do pecado adâmico de uma simples costela do homem. A melhor parte do corpo é a mulher.

Mas Deus pintou a mulher em uma tela qualquer do mundo e usou tintas da fértil criação.

Brancas, negras, morenas, loiras... cada uma com sintonia e beleza incomparáveis. Ela é a bela visão do que nós, homens, imaginamos.

Elas têm a vastidão do céu e a profundeza do mar. E são misteriosas.

A mulher refresca como a chuva e dá o calor necessário em noites frias com um simples "Eu te amo!". 

Lindas mulheres em sintonias e que são notas musicais de nossos instrumentos. Mulher é emoção. É flor que merece canteiro e carinho.

Precisa ser cuidada. Adubada. E quando se ama uma mulher, ah, ela floresce. E não morre nunca!

Que você, homem, seja um bom jardineiro para essa flor que Deus brotou no jardim da sua vida".

terça-feira, 21 de março de 2023

O salto

 


Por Marcos Vinicius Cabral

"Um imagem vale mais do que mil palavras. Essa que acompanha o texto é uma delas. Não é o fato da cabra saltar de um penhasco para outro simplesmente.

O salto, muito arriscado por sinal, representa muito mais do que um simples pulo. Significa que a consequência deste ato, se for mal pensado, arquitetado e planejado, pode mudar o resto da vida do pobre quadrúpede.

Simplesmente, não é o fato da cabra ter fé o suficiente para realizar decisão tão perigosa. No entanto, o mais importante é notar que a cabra está focada, tem os olhos fixados na direção do objetivo final que é o outro lado. 

Ela não olha para baixo. Não se distrai olhando para cima ou para os lados. Ela não tem medo de cair e morrer.

Não!

Ela não olha para trás e tampouco se lamenta pela decisão que tomou. Não há arrependimento na decisão. O salto para ela tem um só destino: chegar do outro lado! 

Finalmente, muitas vezes na vida, temos coragem para dar um grande salto, seja na vida profissional, pessoal, conjugal, espiritual, ou seja lá na que for. A queda, pode, lógico, acontecer. 

É inevitável!

Nos encontramos, às vezes, olhando para baixo quando estamos por cima e para cima quando estamos caído por algum motivo.

Entretanto, quiçá, decidir dar um pulo arriscado na vida, este é o conselho que dou: se concentre e vá em frente! Tenha métodos para fazê-lo. Aleatoriamente, não se chega a lugar nenhum!

O resultado do salto, decisão única e exclusivamente sua, mostrará se valeu ou não a pena se arriscar".

sexta-feira, 17 de março de 2023

Leandro

 

Texto e ilustração: Marcos Vinicius Cabral 

Por mais que eu tente buscar palavras neste 17 de março de 2023 para dizer o que você representa na minha vida de torcedor rubro-negro, não será suficiente.

Desde o dia em que descobri, aos oito anos de idade, naquele longínquo 1981, um jogador habilidoso, de cabelo escorrido, olhos verdes, pernas arqueadas, que vestia com altivez a camisa 2. Naquela época, ao ver o Anjo das Pernas Tortas Rubro-Negro jogar e, além disso, demonstrar um amor incondicional ao Flamengo, que não fui mais o mesmo.

"Tio, quem é esse jogador?", perguntei com os olhos fixados na TV com imagens desbotada em preto e branco.

"Leandro, um dos mais habilidosos do Flamengo", respondeu meu tio José Cláudio cheio de frio embaixo do edredom na cidade de Venda das Pedras, em Nova Friburgo.

Ali, sem perceber, fui acertado em cheio quando ouvi o seu nome.

Foi paixão à primeira vista quando vi, com os olhos ingênuos da criança que era. E de paixão, sei que você entende.

Mas ali, com meu tio, esqueci Zico. Não quis saber de Junior e nem me preocupava com as jogadas de Adílio e os desarmes na bola do Andrade.

Se o Raul fechava lá atrás e Marinho e Mozer eram intransponíveis, pouco me interessava.

Dava de ombros, se Tita pela direita e Lico pela esquerda, faziam o diabo na defesa adversária.

O que eu queria era saber sobre o Leandro, que já era considerado por mim, um menino de apenas oito anos, meu craque  predileto.

Não te escolhi. Teu futebol me escolheu.

No entanto, você não foi apenas um cracaço ou um herói com super poderes. Mas um herói que eu gostava pelas qualidades que sempre demonstrou em campo. Fora das quatro linhas, conheci o cidadão José Leandro de Souza Ferreira, que me apresentou a própria família e mostrou-me o significado de duas palavras que todo homem deve manter na vida para ser bem-sucedido: simplicidade e humildade.

Você me ensinou muito mais do que é o significado de amar um clube. Eu me via em você, todas as vezes em que seus pés pisavam em um campo de futebol.

Você fez o seu melhor e se doou de corpo e alma. Eu faço isso até hoje na vida.  

Você respeitou o torcedor. Honrou o Manto Sagrado e quisera Deus, encerrou a brilhante carreira cedo demais.

Tudo foi como Deus quis. No entanto, nesta sexta-feira, 17 de março, estou eu aqui te escrevendo mais um texto - sei que sou chato, tolere, mas é coisa de torcedor - para dizer o quanto você foi importante para mim.

Feliz aniversário. Que Deus abençoe sua saúde, sua família e possa te dar o que o coração desejar.

Um forte abraço não só hoje, que é seu aniversário de 64 anos, mas para sempre!

sexta-feira, 3 de março de 2023

Zico

 

Ninguém explica Zico em campo

Por Marcos Vinicius Cabral

"Zico usou cada metro quadrado dos estádios por onde esteve e fez deles um cadafalso de uso pessoal.

A nós, flamenguistas, que vibramos com os gols que fez, que enlouquecemos com as jogadas criadas por uma mente sã e corpo são, medimos com os olhos impávidos os passes milimetricamente dados com extremo zelo para os companheiros de time.

Dentro do quadrado verde denominado campo de futebol, Zico era diferente na maneira que corria, na forma em que batia na bola, no nó que dava nos cadarços das chuteiras e até na entrevista que concedia antes e depois dos jogos.

O filho caçula de dona Matilde e seu Antunes nunca precisou de promoção, a imagem dele fala por si só.

O aniversariante, que chega aos 70 anos nesta sexta-feira (3), permanece com valores imutáveis e inegociáveis. E se tem algo que muda na vida do eterno camisa 10 todo ano que nem ele consegue conter, é o carisma que cresce dia a dia, mês a mês e ano a ano.

Mas Zico é determinação rara. Sempre foi assim. E humilde sempre.

São qualidades que outros ídolos do futebol tanto quanto ele, desconhecem.

No entanto, feliz fomos nós, que agradecemos todos os anos à imponente sede do Flamengo que abriu os braços querendo abraçar aquele menino loirinho, magrinho, ainda pequeno para 14 anos e fez dele um homem, um atleta, um profissional, um ídolo, que acima de tudo é um enorme ser humano.

Mas tão gigante, tão gigante, que os feitos realizados e descortinados aqui, não estão os 508 gols marcados pelo Flamengo, os 30 pela Udinese e nem os 56 pelo Kashima Antlers, como os que merecem aplausos.

Tampouco os títulos que enfileirou com a camisa rubro-negra.

Na figura pública de Zico, é Arthur Antunes Coimbra que presencia os golaços fora de campo.

Longe dos olhos de quem sempre levantou da arquibancada para aplaudir e vibrar com cada jogada ou gol que fez, o Galinho de Quintino continua fazendo golaços por aí.

Zico, eu e o quadro que pintei dele 

Seja no autógrafo dado a uma criança, a um adolescente, na atenção destinada para um idoso que pede para tirar fotos, aos fãs do Flamengo ou de outros times, Zico vai colhendo o reconhecimento plantado lá atrás com muito esforço e dedicação.

As demais qualidades, o futebol se incumbiu.

No entanto, o maior orgulho de todo rubro-negro não é ter Zico como exemplo. Isso é muito, mas muito pouco para quem foi um gigante personificado em quatro letras apenas.

O maior orgulho da Nação Rubro-Negra é saber que tricolores, atleticanos, coritibanos, alvinegros, palmeirenses, são -paulinos, gremistas, vascaínos, corintianos e torcedores de clubes rivais Brasil afora respeitam e amam o Zico tanto quanto nós.

Esse é o nosso orgulho. E orgulhosos, respiramos fundo, estufamos o peito para poder bater nele e dizer: "eu tenho o Zico!".

O futebol aplaude e a vida agradece".

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Super Sandro

 

"Neste sábado (25), a emoção tomou conta do Centro de Futebol Zico, no Recreio dos Bandeirantes, com a entrega de uma cadeira de rodas motorizada para Sandro Rilho.

A ação, realizada pela FlaResende e FlaCampos, duas embaixadas espalhadas pelo Brasil vermelho e preto, tem o objetivo de facilitar a locomoção diária do nosso querido Sandrão.

A partir de agora, o semovente rubro-negro que é um notório colaborador para a memória do clube, poderá realizar visitas às sessões de fisioterapia sem gastar tanta energia, desprender o suor imerecido do rosto áspero com a barba por fazer e não mais pensar em desistir como imagino que em muitas vezes tenha encenado o ato.

Não, Sandrão, o jogo não acabou e muito menos é hora de entregar os pontos.

São 90 minutos. Tudo pode acontecer. 

É você contra sua (por enquanto) limitação. É você disputando a bola contra o carrasco do desânimo, do marcador implacável chamado depressão, do zagueiro viril chamado tristeza.

O adversário é forte. O time deles quer anular você, porque sabe que você decide, é craque e é o cara.

O jogo é truncado, estudado, estratégico, marcação em cima e não tem o VAR para elucidar lances duvidosos.

Não esmoreça com o que está ao seu redor.

Não se enfraqueça por palavras negativas de quem não venceu a morte como você venceu.

Não se desfaleça. Muitos planos e projetos Deus tem para a sua vida.

Não permita-se desbotar o brilho que existe em seus olhos e que se torna lindo quando um busto é inaugurado ou  uma outra ação qualquer é realizada pelo FlaNação.

Você não está sozinho nessa. Pergunte ao Raul se foi fácil ser o goleiro que foi na história rubro-negra tendo que aturar os insultos e xingamentos atrás do gol vindos da torcida adversária?

Fala para o Leandro, que jogou no clube que tanto amou por 12 anos convivendo com o Mal do Cawboy nas pernas, que você pensou em desistir do jogo.

Explique para o Marinho - que faz 68 anos na segunda-feira (27) - e o Lico, que saíram de Londrina e Joinville apostando apenas no talento deles para vencer no Flamengo, que você não creu que venceria a batalha  ao derrotar o Covid-19.

Desabafe com Junior e Andrade que você ficou longe de muitas pessoas que te amam enquanto esteve em coma, no entanto, não esqueça que o Maestro ficou longe cinco anos no futebol italiano e o Tromba foi jogar no Universidad de Los Andes, na Venezuela.

Mas se mesmo assim não estiver convencido do quão és vitorioso, lembre-se de Adílio que saiu da Comunidade da Cruzada de São Sebastião, no Rio, entre Ipanema e Leblon e venceu a pobreza e o preconceito racial para chegar onde chegou.

Ah, Sandrão, meu amigo angolano, esse jogo não é apenas seu. É de todos nós, somos um time!

Confidencie com Tita que você, às vezes, fica desconfortável pelo jeito como os rubro-negros te olham. Entretanto, o eterno camisa 7 rubro-negro vai te dizer com propriedade o que é viver isso quando ele encobriu o rosto com a camisa do Vasco e marcou o gol do título do Carioca em 1987. Ele continuou sendo ídolo do clube. E você se transformou em ídolo dele.

Sandrão, quando pensamentos negativos se apresentarem nessa sua 'nova' vida, mate do peito e saia para o jogo como bem fazia Mozer, nosso xerifão.

Mas se as adversidades se tornarem marcadores implacáveis, que você como grande craque que é, drible-as e siga o exemplo de Zico que superou tudo com força, humildade e profissionalismo e foi determinado e obstinado até tornar-se o maior do Flamengo.

Depois disso, meu caro Sandro Rilho, tenho certeza que você vai sair dessa cadeira de rodas e marcar gols importantes como o nosso artilheiro Nunes fez em jogos decisivos.

Desejo o melhor para você e nada mais justo, afinal de contas, Sandrão sempre foi um torcedor apaixonado pelo clube e irrequieto quando o assunto é valorizar ídolos do Flamengo do passado".

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Vai em paz, Patrick!

Por Marcos Vinicius Cabral

"É preciso ser forte e tornar-se resiliente quando o destino nos prega uma peça.

Vítima de um grave acidente automobilístico no fim de janeiro no qual precisou ser internado às pressas no Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, em São Gonçalo, o filho mais engraçado de Noêmia, se despediu da vida nesta quinta-feira (16).

Foi embora sem dizer adeus. Partiu em mil pedaços o coração daqueles que tiveram a oportunidade de conhecer aquele rapaz magrinho, careca e com óculos arredondados e gente boa à beça.

A morte estúpida de Patrick, que teve a moto em que pilotava atingida por um carro, deixa um sentimento de revolta e descaso do Poder Público em cada um de nós. 

Patrick leva consigo a alegria que era depositada na vida e que na maioria das vezes essa mesma alegria - imedida e desproporcional - era compartilhada com a mulher, os filhos, familiares e amigos.

Mas o sumiço físico de Patrick deixa em cada um de nós, que teve a oportunidade de conhecê-lo, momentos raros de quem desfrutou de bons momentos ao lado dele.

Tive meu momento alegre com ele. E foi há três anos em Saquarema, na Região dos Lagos, no passeio que fizemos de barco (foto).

Lembro também das vezes em que passava de carro em frente à oficina dele no Rocha e gritava "Fala, Patrick!!!", antes do sinal abrir.

Amigo Patrick, vai com Deus, que na infinita misericórdia, dê forças aos familiares para superar e principalmente conviver com tamanha perda".

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Boechat

 

Por Marcos Vinicius Cabral

Ao abrir a porta, Mel - nossa cadela da raça Shih Tzu - veio me receber diferente dos outros dias.

Era hora do almoço e dessa vez, ela, que estava sozinha em casa, não me sorriu latindo.

Pelo contrário: não sorriu e tampouco latiu. Fiquei preocupado.

Deitada no chão, permaneceu por ali e me observou com olhos profundamente tristes.

Apesar de não ter passado despercebido aquele olhar, me veio à mente que tal tristeza pudesse ser em virtude do forte calor ou em decorrência das tragédias de  Brumadinho em BH, das enchentes no Rio e dos meninos do Flamengo, no CT do clube.

Os cães canalizam alegria e tristeza ao nosso redor e demonstram de várias maneiras.

Mas não eram.

Com o prato do almoço nas mãos, após agradecer a Deus por nunca ter me deixado sem comida no meu lar, liguei a televisão e botei na TV Bandeirantes.

"Eu tenho que dar essa notícia", disse José Luiz Datena, visivelmente abalado, interrompendo  o programa esportivo Os Donos da Bola.

Um acidente envolvendo um caminhão e um  helicóptero, modelo Bell, prefixo PT-HPG, na rodovia Anhanguera, próximo ao quilômetro 7, no viaduto de acesso ao Rodoanel, havia vitimado duas pessoas: o piloto e o passageiro.

Isso deve ter levado uns vinte minutos aproximadamente. 

Sentei e fiquei aproximadamente mais  quarenta, vendo notícias da morte de um dos maiores - se não o maior - jornalista do país: Ricardo Eugênio Boechat.

Voltei para o trabalho com a impressão de ter perdido alguém da família, tamanha sua importância na vida de todo e qualquer cidadão. 

Não o conheci pessoalmente, mas as qualidades profissionais dele dispensam comentários. 

Exímio repórter que apurava com a precisão e passava credibilidade por meio daqueles olhos azulados enormes que nos chamavam atenção.

Apurador sensato que peneirava notícias de suma importância numa época que os meios de comunicação não eram tão eficientes como hoje.

Refiro-me à época das máquinas de escrever nas redações.

Fiel colaborador no começo dos anos 1980 da coluna de Ibrahim Sued - outro notável jornalista - plantava contatos e colhia notícias da alta sociedade carioca, no terreno árido e inóspito. 

Se reinventou e já sendo uma Enciclopédia do Jornalismo, fez coisas inimagináveis, como disponibilizar seu número de celular para os ouvintes do programa Band News FM.

Coisa de gênio e de quem entendia muito da coisa.

Ganhador do Prêmio Esso nos anos 1989, 1992 e 2001 e do Comunique-se em 2006, 2007, 2008, 2010, 2012, 2013, 2014 e 2017), o argentino abrasileirado que amava Niterói, desapareceu segunda-feira, 11 de fevereiro, de nossa ambiência física. 

Vai deixar uma lacuna imprescindível e uma dor latente em que o jornalismo, profissão esta tão maltratada pelo desemprego e desvalorização, vai custar a sarar.

Seu humor e mau humor, renderam-lhe boas histórias como a vez em que ligou ao vivo para a mãe Mercedes no programa de rádio que apresentava desde 2006 e da resposta desaforada para o pastor Silas Malafaia, no entrevero que teve com o mesmo em 2015, sobre intolerância religiosa.

Boechat morreu na segunda-feira dia 11, seu velório e cremação foram ontem dia 12 e hoje resolvi postar esse texto após ver a entrevista da mãe Mercedes nas redes sociais, no qual emocionou a todos nós. 

Boechat era um jornalista que era ouvido por classes de A a Z sem distinção.

Era objetivo e defensor de classes massacradas pelo Poder Público regente no país, como os taxistas por exemplo.

Era instantâneo e imediato, qualidades imprescindíveis para quem trabalha com rádio.

Era, segundo a mamãe, o patinho feio dotado de uma inteligência raríssima. 

Vai fazer falta, ou melhor, já está fazendo.

(Texto escrito, publicado em 2019 nas redes sociais e republicado nesta segunda-feira (13) no meu blog. Essa semana faz quatro anos que Boechat morreu).

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

A culpa é da sogra

 

Por Marcos Vinicius Cabral

O Flamengo começou 2023 sendo vice da Supercopa do Brasil para o Palmeiras ao ser derrotado por 4 a 3 e nesta terça-feira (7) viu a carruagem da conquista do bicampeonato Mundial virar abóbora na derrota para o Al-Hilal por 3 a 2.

Mas se o Flamengo iniciou o ano com o pé-esquerdo, o clube começou a pagar um alto preço quando Vitor Pereira, então treinador do Corinthians, deu a seguinte declaração na primeira quinzena de novembro à ESPN:

"Eu me sinto triste, queria muito continuar esse projeto, mas não tem hipótese alguma. Não vou para clube nenhum, não vou pra canto nenhum, eu vou pra casa, tenho que ajudar a estabilizar um pouco o processo da doença da minha sogra que está vivendo na minha casa e por isso tenho que voltar pra lá", alegou Vitor Pereira.

O Flamengo, que nada tinha a ver com isso - pelo menos até aquele momento - era comandado por Dorival Júnior que veio para substituir o fraco Paulo Sousa e conquistou a Copa do Brasil em cima do próprio Corinthians de Vítor Pereira em emocionante decisão no Maracanã e a Taça Libertadores ao bater o Athletico-PR, lá no Estádio Monumental, em Guayaquil, no Equador.

Com o caminho pavimentado com as conquistas - diga-se de passagem, duas senhoras conquistas - natural seria que Dorival Júnior recebesse o convite da diretoria para um coffee break como pretexto para tratar da renovação de contrato.

Mas o que é natural para qualquer um dos 42 milhões de torcedores rubro-negros, não é para a diretoria do clube, que não se sensibilizaria com os feitos de Dorival Júnior.

Sem contar que um dos maiores feito dele no comando da equipe rubro-negra foi recuar Gabigol como arco para armar as jogadas e colocar Pedro enfiado como flecha para marcar os gols.

Resultado: em 31 jogos, a dupla de ataque do Flamengo marcou 32 vezes.

Mas o vice-presidente de futebol, Marcos Braz e Cia. preferiram acreditar no português que usou a doença da sogra para deixar o Timão e deu a ele uma equipe ressentida e extremamente magoada com a demissão de Dorival Júnior.

Apresentado no dia 2 de janeiro, Vitor Pereira prometeu "criar juntos um jogo atrativo, que os jogadores desfrutem e a torcida também", disse VP na primeira coletiva como já técnico do Flamengo.

No Carioquinha, que não serve de parâmetro para absolutamente nada, faz um bom jogo e vence o Nova Iguaçu por 5 a 0, sofreu para superar o Audax Rio e o Bangu por 1 a 0.

Ontem, contra o Al-Hilal, no Mundial de Clubes, foi castigado com dois pênaltis bobos e a expulsão de Gerson.

No intervalo, mexeu mal ao sacar Arrascaeta e tirar Everton Ribeiro no decorrer do jogo.

Agora é juntar os cacos e saber se o treinador que usou a doença da sogra para não permanecer no Corinthians terá, de fato, apoio dessa diretoria, para mexer na forma de jogar e na estrutura do time. Por enquanto, o Flamengo é hoje um time perdido no meio de tantos achados.

Se pudesse voltar no tempo, bem que a história de doença da sogra poderia ter sido verdade e, dessa forma, Vitor Pereira teria ido a Portugal e Dorival Júnior não demitido.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Glória

 


Por Marcos Vinicius Cabral

"Eu queria escrever sobre a Glória Maria, juro para vocês. Mas por incrível que pareça, faltam-me palavras para isso.

Não que eu me sinta incapaz em descrever o sentimento que nós, jornalistas, sentimos com a partida dela neste 2 de fevereiro de 2023, de forma precoce, confesso, apesar dos 73 anos. 

Contudo, transmitir sentimentos por meio de palavras sobre a Glória é tão difícil quanto acordar cedo todos os dias para regar as plantas ou ver o nascimento do sol.

Escrever sobre a representatividade dela na minha vida, me remete ao passado quando estava com meus 12 anos, não sonhava em ser jornalista e chargista e acreditei que a Glória estava envolvida na morte de Tancredo Neves às vésperas do mineiro tomar posse como o primeiro presidente civil após a ditadura militar.

Não existia, à época, o termo fake news, o aplicativo WhatsApp e as redes sociais Instagram, Facebook e Twitter para disseminá-las.

Os disseminadores eram meus pais e os pais de meus amiguinhos que explanavam que "Gloria Maria sabia mais do que devia no episódio", e dessa forma corroboravam com tamanho impropério.

Mas Glória nasceu pobre, era negra, estudou em escola pública e com muita dificuldade se formou pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) na década de 1960, em jornalismo.

Se eu tenho orgulho dela em um país tão preconceituoso como o nosso, o que dizer você, negro ou negra, com todo respeito, que está lendo isso agora e se alegra com a ascensão da Neguinha, como foi chamada certa vez pelo general João Figueiredo durante a ditadura militar?

Mas a Neguinha não quis apenas quebrar paradigmas neste Brasil pobre de todos nós, quis fazer reportagens e entrar para a história da TV.

Primeira repórter a realizar matérias ao vivo e a cores na televisão no Brasil, desde 1971, quando cobriu a queda do Elevado Paulo de Frontin até a matéria sobre agricultores e ambientalistas que restauram florestas para o Globo Repórter, em 2022, Glória fez cada um de nós perder algum compromisso para assistir alguma matéria produzida por ela. 

Quem não? Eu sim. E várias vezes!

Repórter talentosa que passeou com maestria por todas as editorias na TV Globo, Glória entrevistou Madonna, Mick Jagger, Michael Jackson, Deus e o mundo. Quando foi a vez de entrevistar Freedie Mercury (1946-1991), no terraço do Copacabana Palace, em 1985, o líder do Queen personificou cada um de nós e apertar a bochecha da repórter do Fantástico, no meio da reportagem.

Era nós dizendo: "Neguinha, tu é muito boa no que faz!".

Mas a sorte está sempre do lado dos competentes e com Glória Maria não foi diferente ao esbarrar por acaso com o poeta Carlos Drummond de Andrade, no Rio, e fez uma belíssima entrevista, às véspera do Natal de 1984.

Precisa escrever mais?

Assim como Édson Arantes do Nascimento, o Neguinho que virou Pelé, o rei do futebol, Glória Maria Matta da Silva descansou e continua viva no trabalho jornalístico maravilhoso que deixou.

Nesta sexta-feira (3), o corpo da Neguinha foi cremado em uma cerimônia restrita aos familiares e amigos próximos.

A família de Glória Maria não definiu o local onde serão depositadas as cinzas. 

Entretanto, se forem jogadas para o alto em qualquer lugar do mundo pelas mãos de suas filhas, que cada parte incinerada seja levada pelo vento a quilômetros de distância e pouse tranquilamente sobre pessoas que precisam viver, pelo menos alguns minutos, a Neguinha que fez história com um trabalho a nível de excelência, amou como ninguém pessoas e o trabalho e souber ser, apesar do sucesso, uma criatura querida e humilde.

A maior vitória dela não está em quem ela foi, mas o que deixou para nós!".

domingo, 29 de janeiro de 2023

Solidão e tempo

 

Por Marcos Vinicius Cabral

"Os dias estão passando rápido demais.

Em um estalar de dedos é janeiro, no piscar de olhos dezembro e com os cabelos brancos à mostra se chega à conclusão que estamos envelhecendo mais rápido do que queríamos e não lentamente como é desejado.

Não está dando para aproveitar as coisas como antes e momentos especiais ao lado de quem amamos acabam sendo substituídos por trabalho. Muito trabalho.

Se o tempo é ruim, há algo ainda pior: a solidão!

Mas existem os que estão só. E é por eles que escrevo.

Escrevo porque imagino que conviver com a casa vazia, a televisão desligada, um copo apenas de café sob a mesa e sem ninguém para conversar deva ser duro. E o pior: tudo em silêncio!

Nenhuma mão para abrir a porta e ninguém à espera do outro chegar. 

A pessoa está só. A solidão é a única companheira.

A tristeza pede para entrar na história. Quando menos se espera visitas, a tristeza bate à porta e quer entrar sem ser convidada.

No entanto, deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão.  

Vem da mente fértil e dela surgem fantasias. Isso é um perigo.

Como você se comporta com a solidão? 

Aprenda: as coisas agem e acontecem quando recebem nomes que lhe damos. 

Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. E do contrário, a mesma coisa.

Existem pessoas que convivem com a solidão numa boa. Alguns têm vários amigos, estão rodeados de familiares e mesmo assim continuam sentindo-se só.

Por incrível que pareça, não é a quantidade de pessoas que determina o fim da solidão, mas a qualidade da companhia.

Melhor uma pessoa especial ao seu lado e em silêncio do que 15 outras falando determinados assuntos.

Certa vez, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) disse: "Por muito tempo achei que a ausência é a falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim... essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim".

Saiba conviver com a solidão e com o tempo. No fim da vida serão, mais cedo ou mais tarde, as melhores companhias".